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O SÓTÃO JAMAIS SERÁ O MESMO
O SÓTÃO JAMAIS SERÁ O MESMO
(Por Marcelo Damazo)
Revirando o Sótão, primeiro disco da banda paraense A Euterpia, revela uma banda madura que capricha do visual à canção
Capricho. Essa fixação que transita entre a trágica e a virtude é o que pode definir o esperado debut da banda Euterpia. Revirando o Sótão é uma obra de arte desde o encarte (um dos mais belos que já surgiu em Belém) às ordens das músicas e arranjos. Depois de sete anos de espera, desde sua formação doidona, com espírito totalmente juvenil, A Euterpia já demonstrava um talento absurdo em composições ricas em poesia (nas músicas elas soam legal), experimentalismo e nenhum rabo preso com uma tendência ou influência decisiva.
A dupla Antônio Novaes e Márcio "Pato" são remanescentes dessa origem e permanecem em seus instrumentos até hoje: Pato no baixo e Antônio na guitarra, violão e voz. Antônio Novaes, no entanto, concentra em sua autoria as canções que fizeram a banda ser como ela é hoje em dia, cultuada por uma legião de fãs, que vai desde o neo-hippie e pessoal de teatro a jornalistas enjoados e punks tenebrosos.
REVIRANDO O SÓTÃO - O disco de estréia do quinteto é daqueles que você, ao escutar, olha o encarte, sente a poesia de Novaes na voz de Marisa, os experimentos do guitarrista Tom, o capricho (olha ele de novo) de Márcio e a criatividade do baterista "Canhão" e, por fim, conclui: é um disco para a posteridade. Daqueles em que você facilmente escuta no carro com sua mãe, dá de presente para um fã de jazz e MPB, analisa simetricamente as canções com seus amigos, canta segurando na mão da namorada e, por que não, coloca na pista de dança.
Se um disco onde, entre as 14 faixas, se escolhe facilmente seis hits radiofônicos, certamente é um álbum para brilhar na prateleira para daqui a, no mínimo, 20 anos. Vezena e Revirando o Sótão são músicas de refrões facilmente assimiláveis dentro de uma categoria cada vez mais rara, o pop inteligente; Dentro da caixa embala um belo strip-tease; Dia de alcatrão é a música mais cheia de nuances que já escutei; O Purge é uma ousadia no novo jazz; Sono de Milus é um daqueles exemplos de letra poética milimetricamente bem encaixada na melodia; e a circense Apague Apreço: e Atrás de um riso estridente é o rock fora de rótulos.
Antônio Novaes é dono de uma linha de composição que esclarece suas influências, abre margens para inúmeras interpretações e abraça o experimentalismo como poucos conseguem fazer. É claro que isso só é possível graças a uma coisa: talento. Quer dizer, uma só não, duas. Capricho.
.Marcelo Damazo
Autor: Antonio Novaes postado
em 14/2/2007
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